Big Little Lies: REVIEW

Excepcional.

Qualidade técnica. Adaptação. Elenco. Direção. Trilha sonora. Corte! Tanta coisa que não sei nem por onde começar. Talvez pela história original, livro de Liane Moriarty, apresentado ao diretor Jean-Marc Valée e roteirista David E. Kelly pelas atrizes/produtoras Reese Witherspoon e Nicole Kidman. Big Little Lies é um caso incomum de adaptação, quando o conteúdo é apresentado de forma melhor do que o original. 

A trama da série (e do livro) desenvolve uma a história de cinco mulheres que vivem em uma cidade pequena da Califórnia (originalmente Austrália), cujos filhos estudam juntos, na primeira série da escola municipal. A mini-serie fala sobre relacionamentos: entre as mulheres, entre as crianças, entre as mães, entre o marido e a mulher e, talvez em sua manobra mais maestral, fala da relação entre o telespectador e a história. Esta última que é contada através de sete episódios semanais. A quantidade certa na mídia certa.

Exibido uma vez por semana pela HBO, a escolha de dividir a história em sete partes exibidas semanalmente da ao telespectador a oportunidade de se envolver profundamente com cada personagem. Não há dúvidas que bingewatching é a febre do momento e que causa enorme burburinho. São muitos aqueles que consomem conteúdo de uma só vez, e por mais que essa moda acenda os holofotes para o material, ele também é mais facilmente esquecido. Ao decidir contar essa história da maneira clássica, liberando o conteúdo aos poucos, a HBO fidelizar o público e nutre naquele que assiste uma relação com o programa que torna a mensagem mais impactante.

Assim como muitas outras, a minissérie se inicia com um assassinato, mas diferente do que vimos até agora, não sabemos quem morreu (e honestamente não nos preocupamos muito com isso) até o último episódio. Big Little Lies é tanto sobre o final, quanto sobre o caminho. Quem morreu e quem matou são tão importantes quanto todas as razões que levaram ao grande ato final. Me arrisco a dizer, inclusive, que o final se engrandece devido ao caminho percorrido. A cena da grande revelação é desprovida de diálogo e mesmo assim fala com a alma daquele que assiste.

Em parte, o mérito da série vai por envolver o telespectador em assuntos que ele não imagina, com a premissa de algo leve. Sem nunca forcar a mão, a série te obriga a pensar e repensar. Vezes e vezes novamente. Assim como segue a edição que vai, volta, vai e volta novamente. Vemos memórias como flashes, em cortes secos e desconexos. É um corte feito, sim, para o telespectador que já foi educado a consumir conteúdo audiovisual. O diretor não está preocupado em escrever para o telespectador o que está acontecendo, mas o obriga a juntar as peças. Falando de corte e montagem, o final do episódio 5 é uma obra prima de edição. Os episódios seis e sete poderiam ser um filme cada um. E de certa maneira são.

Outro aspecto que contribui para essa sensação de estar no cinema,  é a linguagem cinematográfica adotada pela direção de fotografia. Iluminação, paleta de cores e enquadramentos que condensam ao mesmo tempo intimidade e frieza, cores quentes e escuras, que retratam a personalidade dos personagens (que parecem ser abertos mas na verdade são muito fechados). Um exemplo da preocupação da imagem servir à história é o fato de eles filmarem muitas cenas em planos aberto, ou onde vemos somente as costas dos personagens. Não os conhecemos. E menciono, novamente, a HBO como a mídia correta para fazer esse serviço: que outra emissora seria agressiva o suficiente para ter Witherspoon, Kidman e Shailane Woodley e gravar cenas inteiras no carro onde a câmera está no banco de trás? 

Sobre esta série, o que me resta a dizer é: parabéns e muito obrigada.

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