30 Rock: PILOT

Pode-se dizer que cheguei atrasada para a revolução.

Recém descobri o prazer da comédia. Sempre tive uma visão distante, daquelas que torcem o nariz e olham na outra direção. Nunca quis me aproximar. Até que a vida se encarregou de nos apresentar. Foi por acaso. Não sei dizer como aconteceu. Só sei que no último ano me vejo atraída por programas de humor e assisto Saturday Night Live todo final de semana, na esperança de conseguir acompanhar a evolução de outro exército de comediantes como Fallon, Fey, Meyers ou Poehler. Enquanto isso não acontece, sigo fazendo uma visita o passado, que para mim – ô sorte! – é novidade.

E para mergulhar na comédia, decidi começar com qualidade. Com a série dela, cuja escrita conheci em Mean Girls, e terminei de me apaixonar ao concluir a leitura de sua autobiografia, Bossypants, a incrível Tina Fey. 

Como ela mesmo define em seu livro, sua série de TV, 30 Rock, não segue convenções. É “esquisita e única“, o que fica claro desde o episódio piloto. Sabe o primeiro, onde devem ser introduzidos não somente os personagens mas as tramas principais da série? Pois bem. O piloto de 30 Rock está longe de ser um episódio fenomenal. E quando digo longe, quero dizer bem longe.

À primeiro contato, 30 Rock não é uma série apaixonante; seu primeiro episódio não explica muito bem o que será a série e apresenta os personagens alguns tons acima. Com piadas de nicho e atuações exageradas, devo admitir que só segui assistindo porque 1. Estava ciente de todo o sucesso de crítica e não quis estar de fora dessa e 2. Não conheço nada de comédia, então ao invés de achar que o piloto era ruim, culpei minha falta de humor. E assim segui, com uma risada ou outra, aos poucos sendo seduzida por aquele produto estranho. Ao assistir o episódio 13, que por coincidência, comemora o Dia dos Namorados no programa, concluí que já estava complemente apaixonada. Foi assim, sem perceber.

É neste episódio 13 da primeira temporada que, também sem perceber, Liz Lemon desvia o olhar do trabalho pela primeira vez e conhece um par romântico a sua altura. O episódio marca o início da participação de Jason Sudeikis na série, que interpreta o primeiro par romântico de Fey. Um poderia pensar que ele se tornaria regular na série, mas 30 Rock novamente quebra convenções e nos surpreende mantendo-o por somente tempo suficiente de concluir um perfeito arco de episódios (7). Esta mudança na série, que vai de serializada para um programa com arcos maiores, na medida da necessidade de narrativa, é o grande marco de 30 Rock.

A partir de então, outras mudanças podem ser notadas ainda durante a primeira temporada. Aos poucos os personagens vão deixando de ser loucas sugestões na mesa de leitura para personagens redondos cujas motivações são inteligíveis pela audiência. As piadas também se tornam suficientemente hipsters para que o show mantenha sua essência, mas consiga entregar entendimento. 

Conclusão: um piloto que podemos pular, de uma série que não dá pra perder.

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